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26 de set. de 2010

cócegas

Havia acordado rindo, era tão bom se sentir assim, radiante. Era o melhor sonho que tivera depois de tantos tumultos e tempestades dentro de si. Não que estava se sentindo a melhor pessoa do mundo, mas havia algo dentro de si que fazia cócegas. Ela tinha medo, muito medo, de despertar daquele sonho real e ao mesmo tempo nem se preocupava com isso, só vivia tentando desfrutar demais do que não tivera durante tantos dias. Queria levantar, andar, correr, pular, sair gritando, abraçando a todos, brincar no parque e rolar na grama. Se sentia jovem, como se tivesse nascido de novo. Que bobagem! Apenas deu uma nova chace para vida, quando viu que não adiantava mais sofrer por coisas mesquinhas ou por pessoas medíocres. Não queria espalhar isso pra ninguém, ela se deliciava com suas risadas. E sozinha fez tudo o que sentia vontade! Ela brincou, gargalhou, chorou de felicidade, resolveu passar um dia só dela, desligou todos seus meios de comunicação, escondeu a chave e VIVEU!

8 de set. de 2010

Escureceu.

Eu estava deitada, fitando o teto com toda sua leveza, não tivera coragem de levantar-se ainda. Os pensamentos oscilavam de uma maneira tão intensa que eu não me sentia capaz de organiza-los de uma forma mais fácil. Ora ria, ora chorava, ora gritava, não sabia exatamente o por que daquilo, nem por que estava tão sem forças, o que havia acontecido com toda sua segurança, com toda sua convicção e certezas sobre a vida? Já não aguentava mais me afogar em lágrimas, estava me sentindo suja, como se o mundo tivesse acabado em guerra e a única e triste sobrevivente fora eu. Porque as coisas aconteciam dessa forma? Eu não conseguia entender exatamente que caminhão teria me atropelado, ou se teria caído em algum precipício, seria isso apenas uma recaída? Meus pensamentos eram rápidos o suficiente para não deixarem eu procurar uma solução. Olhei para janela, o dia já estava escurecendo novamente, e eu nem senti o frio do chão ou o calor do sol que brilhava na rua. Fechei os olhos tentando buscar forças lá do fundo, onde não havia. Brigando comigo mesma, me perdi na escuridão dos meus olhos que haviam de apagado.